*Por Rodrigo Cabot, Gerente de P&D – Ecosistemas Global
Durante muito tempo, a corrida tecnológica nas empresas foi guiada pela incorporação constante de tecnologias. Hoje, o resultado desse movimento aparece de forma bem concreta. Muitas organizações acumulam plataformas SaaS, soluções de customer experience, analytics, automação, service desk, Inteligência Artificial e mais. Todas funcionando muito bem de maneira individual. O problema começa quando precisam operar juntas, em uma estrutura real, escalável e integrada.
Segundo a Gartner, 73% dos CIOs (Chief Information Officer) identificam as tecnologias legadas como um dos principais obstáculos para avançar na transformação digital, especialmente pelas dificuldades de integração com arquiteturas modernas. Boa parte das companhias chegou até aqui incorporando soluções para resolver necessidades pontuais, sem uma estratégia consistente de interoperabilidade. Com isso, hoje dispõem de operações fragmentadas, dados inconsistentes, aumento de custos e dificuldade para construir experiências integradas em tempo real.
E o problema fica ainda maior com o avanço da Inteligência Artificial. Os novos modelos já não funcionam bem em ambientes fragmentados. Eles precisam de contexto, interação entre sistemas e acesso a múltiplas fontes de dados em tempo real. Quando essa base não existe, a IA até pode ser implantada, mas tende a entregar menos valor do que promete.
É por isso que estruturas tecnológicas menos rígidas, em que diferentes partes do ambiente podem ser integradas, substituídas ou evoluídas com mais flexibilidade, passam a fazer mais sentido. Na prática, elas dão às empresas mais liberdade para adaptar a operação ao longo do tempo, sem ficarem excessivamente dependentes de um único fornecedor ou plataforma.
Inclusive, é devido a essa necessidade do mercado que o segmento global de API Management, um dos principais viabilizadores da interoperabilidade hoje, cresce impulsionado justamente pela necessidade de conectar plataformas em nuvem, sistemas legados e aplicações empresariais em tempo real. Na Europa, essa discussão já começa até a ganhar uma dimensão regulatória. O novo Data Act, da União Europeia, busca reduzir práticas de dependência tecnológica e fortalecer critérios de interoperabilidade e portabilidade de dados entre plataformas digitais. É um sinal de que esse debate tende a ganhar força globalmente nos próximos anos.
Logo, o cenário é o seguinte: de um lado, plataformas fechadas oferecem simplicidade, integração nativa e velocidade de implementação, mas também aumentam a dependência tecnológica, dificultam migrações e podem limitar a flexibilidade futura da arquitetura. De outro, estratégias componíveis, modelos API-first e ecossistemas mais abertos ganham espaço justamente por oferecerem mais liberdade de evolução — embora também exijam maior coordenação, integração e governança ao longo do tempo.
No fim, a discussão vai muito além de incorporar mais tecnologia. Ela passa por entender até que ponto essa tecnologia amplia — ou restringe — a liberdade de evolução da empresa. Na próxima década, a vantagem competitiva não estará apenas em adotar mais IA, mais automação ou mais plataformas, mas em conseguir integrá-las com flexibilidade suficiente para continuar evoluindo sem depender completamente de uma única estrutura.
Na economia digital, a interoperabilidade já não é apenas infraestrutura, é estratégia.
*Rodrigo Cabot é Gerente de P&D da Ecosistemas Global. Engenheiro de Computação pela UNLAM, possui pós-graduações em Administração de Organizações Financeiras (UBA) e em Gestão Estratégica de Inteligência Artificial (UCEMA). Atualmente lidera iniciativas de inovação tecnológica da empresa em diversos países, incluindo Argentina, Brasil, Chile, Espanha, México e Estados Unidos. Com mais de 25 anos de experiência em TI, coordenou projetos de transformação digital, automação e melhoria contínua em setores como bancos, seguros, energia e saúde.
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*Por Rodrigo Cabot, Gerente de P&D – Ecosistemas Global
Durante muito tempo, a corrida tecnológica nas empresas foi guiada pela incorporação constante de tecnologias. Hoje, o resultado desse movimento aparece de forma bem concreta. Muitas organizações acumulam plataformas SaaS, soluções de customer experience, analytics, automação, service desk, Inteligência Artificial e mais. Todas funcionando muito bem de maneira individual. O problema começa quando precisam operar juntas, em uma estrutura real, escalável e integrada.
Segundo a Gartner, 73% dos CIOs (Chief Information Officer) identificam as tecnologias legadas como um dos principais obstáculos para avançar na transformação digital, especialmente pelas dificuldades de integração com arquiteturas modernas. Boa parte das companhias chegou até aqui incorporando soluções para resolver necessidades pontuais, sem uma estratégia consistente de interoperabilidade. Com isso, hoje dispõem de operações fragmentadas, dados inconsistentes, aumento de custos e dificuldade para construir experiências integradas em tempo real.
E o problema fica ainda maior com o avanço da Inteligência Artificial. Os novos modelos já não funcionam bem em ambientes fragmentados. Eles precisam de contexto, interação entre sistemas e acesso a múltiplas fontes de dados em tempo real. Quando essa base não existe, a IA até pode ser implantada, mas tende a entregar menos valor do que promete.
É por isso que estruturas tecnológicas menos rígidas, em que diferentes partes do ambiente podem ser integradas, substituídas ou evoluídas com mais flexibilidade, passam a fazer mais sentido. Na prática, elas dão às empresas mais liberdade para adaptar a operação ao longo do tempo, sem ficarem excessivamente dependentes de um único fornecedor ou plataforma.
Inclusive, é devido a essa necessidade do mercado que o segmento global de API Management, um dos principais viabilizadores da interoperabilidade hoje, cresce impulsionado justamente pela necessidade de conectar plataformas em nuvem, sistemas legados e aplicações empresariais em tempo real. Na Europa, essa discussão já começa até a ganhar uma dimensão regulatória. O novo Data Act, da União Europeia, busca reduzir práticas de dependência tecnológica e fortalecer critérios de interoperabilidade e portabilidade de dados entre plataformas digitais. É um sinal de que esse debate tende a ganhar força globalmente nos próximos anos.
Logo, o cenário é o seguinte: de um lado, plataformas fechadas oferecem simplicidade, integração nativa e velocidade de implementação, mas também aumentam a dependência tecnológica, dificultam migrações e podem limitar a flexibilidade futura da arquitetura. De outro, estratégias componíveis, modelos API-first e ecossistemas mais abertos ganham espaço justamente por oferecerem mais liberdade de evolução — embora também exijam maior coordenação, integração e governança ao longo do tempo.
No fim, a discussão vai muito além de incorporar mais tecnologia. Ela passa por entender até que ponto essa tecnologia amplia — ou restringe — a liberdade de evolução da empresa. Na próxima década, a vantagem competitiva não estará apenas em adotar mais IA, mais automação ou mais plataformas, mas em conseguir integrá-las com flexibilidade suficiente para continuar evoluindo sem depender completamente de uma única estrutura.
Na economia digital, a interoperabilidade já não é apenas infraestrutura, é estratégia.
*Rodrigo Cabot é Gerente de P&D da Ecosistemas Global. Engenheiro de Computação pela UNLAM, possui pós-graduações em Administração de Organizações Financeiras (UBA) e em Gestão Estratégica de Inteligência Artificial (UCEMA). Atualmente lidera iniciativas de inovação tecnológica da empresa em diversos países, incluindo Argentina, Brasil, Chile, Espanha, México e Estados Unidos. Com mais de 25 anos de experiência em TI, coordenou projetos de transformação digital, automação e melhoria contínua em setores como bancos, seguros, energia e saúde.